terça-feira, 16 de setembro de 2014

Lâmpadas fundidas


Fechei o livro. Já não há mais que ler, nem um capítulo, nem uma palavra. Agora vou guardá-lo na estante atrás de outros tantos em que decidi nem voltar a mexer. Este livro é agora um acumulador de pó e nada mais. Somos só umas páginas velhas, com um molhe de pó em cima. Não há página que não tenha um sorriso que partilhamos, não há página que não tenha lágrimas que derramei. Todas as páginas são instáveis como nós sempre o fomos. Só quero apagar tudo e não mexer mais em nós mas sempre que abro a janela e tento apanhar a nova brisa da manhã tu apareces num vulto que já não vejo com nitidez e mundo desaba a meus pés. Sinto-me sem forças novamente. Estou perdida, tão perdida como a agulha que perdemos no palheiro. Aquela agulha que representava um amor em que só eu acreditava. Mas aqui estou eu, mais uma vez, sozinha a escrever-te, como se torna hábito. Talvez, na esperança de que um dia olhes para nós com outros olhos e vejas como crescemos juntos. Talvez um dia leias todos os rascunhos que te deixo neste caderno com meia duzia de verdades e acredites que conseguimos se tentarmos. As lâmpadas fundiram todas no momento em que as tentei acender sozinha. Preciso de lâmpadas novas. Preciso de ver a luz, preciso da claridade, da segurança, da estabilidade. Preciso de ter um pé na terra e outro em ti. 

Com os pés nas nuvens, martinha

1 comentário:

  1. obrigada por estares sempre aqui para me receberes quando volto, querida. obrigada por fazeres do meu regresso uma coisa boa! é com tanto gosto que aqui venho, acredita!!

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