Confesso que ao início tive receio e hesitei mas acabou por correr tudo com bastante calma. Foi um passo de cada vez, uma etapa de cada vez, um sorriso de cada vez, uma lágrima de cada vez, um beijo de cada vez, um abraço de cada vez, um mimo de cada vez. Foi tudo com bastante calma, dois meses e vinte e quatro dias, para ser mais precisa.
Segredei entre um beijo que tinha que assim ser, com calma. Sussurrei entre uma gargalhada que o tinhas que guardar muito bem e não o podias deixar cair. Com o teu olhar sincero e sereno prometeste-te que assim seria, que terias mais cuidado com o meu do que com o teu.
Mas nem sempre é assim, nem sempre cumprimos as promessas. Por vezes as nossas mãos não têm força suficiente para guardar algo tão precioso. Por vezes as nossas mãos quebram-se como vidros frios numa manhã de Inverno gelada.
Talvez a vida seja mesmo feita de chegadas e partidas de quem tem incertezas e receio de que ficar é o melhor a fazer. Porém nem sempre sabemos para onde partem nem para onde partir, é uma eterna incerteza.
A culpa talvez seja minha que sempre andei perdida como uma dúzia de estilhaços sem rumo, sem paradeiro. Sou feita de suspiros e lágrimas que corroem o meu coração. No fim até me ensinas-te a curá-lo, por isso não me surpreendi e não me magoei.
Agora espero que, no silêncio, estejamos sempre como fugitivos de um amor que receamos, de um sentimento de gente crescida, que nos assusta. Mas que ainda assim nos lembramos do que fomos, do que somos e do que seremos.
O passado nunca será como o presente e o futuro será como nós quisermos que seja.
Com uma dúzia de sorrisos, marta
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