terça-feira, 22 de outubro de 2013

Caminhada a duas


 
Volto a ouvir um grito ao fundo da rua, parecia que me estavam a chamar, aproximem-me e reparei que eras tu, outra vez… Pediste-me silêncio e que te seguisse… A tremer segui o caminho que me indicavas. Dizes-me que tinha que ter cuidado, que não ia ser fácil mas que mesmo assim estarias ali comigo ao longo daquele percurso…
Diante dos meus olhos via um caminho com meia dúzia de obstáculos e uma dúzia de curvas, não via o fim, estava muito escuro e nublado… Hesitei em continuar o caminho por ali, mas lembrei-me da força que sempre tiveste, do timbre da tua voz quando me pediste silêncio, do cheiro do perfume que usavas naquele dia, do teu olhar sincero e do teu ar tranquilo… Continuei, sabendo que a qualquer momento podia cair mas que tu chegarias para me incentivar a voar…
Faz-se silêncio, só ouço os nossos corações a baterem como se falassem, como se estivessem a contar uma história um ao outro, entendiam-se muito bem… Não percebia muito mas sabia que eles se estavam a perceber melhor que ninguém… Olho para ti para te dizer se também reparas-te no que acabara de acontecer e tu pedes-me silêncio novamente. Sabia tão bem ouvi-los a conversar...
Por mais assustador que fosse o caminho que me acabaras de mostrar lembrei-me de que quando era pequena e me ensinaste que devemos sempre percorrer os nossos sonhos mas que esse percurso não seria de todo fácil. Teria altos e baixos, dias de chuva e dias de sol.
Segui pelo caminho que me indicavas mas desta vez com outra visão, com uma visão segura, graças a ti, à força que me transmitias só com o teu simples olhar. Sempre foi o que mais gostei em ti, o brilho do teu olhar...
Só contigo é que eu consigo sonhar, só contigo é que eu consigo acreditar que sou capaz.
Após uma longa caminhada trazia comigo uma dúzia de arranhões, três hematomas, meia dúzia de feridas e um sonho realizado. Mais uma vez foi com a tua ajuda, foi por ti, foi pelo nosso amor, pela nossa amizade, pela nossa cumplicidade, por seres o meu anjinho, por cuidares de mim, por seres sempre tu mesma, por seres sempre sincera, pelo orgulho que tenho em ti, por todos os teus ensinamentos, por todas as tuas gargalhadas, pelo brilho do teu olhar, pelo teu sorriso, pela tua força, pelos teus mimos, pelo teu colo, pelas conversas, pelo bater dos nossos corações
(um pelo outro, sempre) que eu terminei mais uma etapa. Nunca me deixas-te sozinha e por tudo isso eu te agradeço não com palavras por que elas deixaram de ser suficientes entre nós mas sim com sentimentos, porque somos feitas somente de sentimentos e de uma cumplicidade que ninguém nega.
Agora vou dar-te a mão, vamos voar como duas borboletas e as nossas asas vão bater ao som dos batimentos dos nossos corações.
Amo-te mãe.
 
Obrigada por ensinares a voar, martinha

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