Encontrei-te quando fugia para junto daquilo que outrora tive que ser para que gostassem de mim como eu não era. Encontrei-te junto à janela a olhar para mim com o olhar mais profundo dos olhares e quando dei por mim já estavas tu a sufocar-me com beijos que me deixam sem qualquer fôlego.
Já não ser como é não ser eu mesma. Contigo posso ser quem eu quiser desde que não sai de mim, é assim que gostas de mim, como sou. Ou pelo menos eu acho que gostas, ou pelo menos tu demonstras que assim o é.
Vais me envolvendo em ti como se de mim tivesses a obrigação de cuidar. Como se fossemos eu e tu e para além disso só existisse tu e eu. Passa um dia, passam dois, passam três e já não vejo aquele túnel escuro do qual me tiraste. Já não vejo a insegurança que morava em mim e me engolia com a maior das subtilezas.
Perdi tudo aquilo em que tive que me tornar para gostarem de mim ou pelo menos fingirem que assim o era e entreguei-me a ti de braços abertos mas de pé atrás. Ainda corro para ti a tremer com medo que fujas só por estar a ser como sou.
Sempre que me pegas nos braços e me envolves em ti tremes, como diria a minha avó, 'como duas varas verdes'. E é essa tua insegurança em me ter nos braços como tua que me dá a segurança, é ela que me leva a entregar-me a ti de coração aberto.
Encontrei-te. E Deus queira que não te perca.
Finalmente de volta, martinha

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