Só sou a solidão quando me visto dela e faço dela todo o meu ser, ou pelo menos o que conheço dele. Hiberno na minha solidão. dentro de um bola feita de um material forte, acabando por me esquecer de quem fui. É nesses dias, em que me perco, que te encontro. São esses os dias em que, na solidão, te encontro a fazer a maior das festanças como se já nada te faltasse. Porém, sei que tudo te falta e o que não falta tu encarregas-te de perder. És assim e sempre hás de ser. Perdes-te a ti próprio para os outros, aqueles como queres ser, e la se vai a essência. Lá se vai a mais bonita face de ti. Lá vamos nós outra vez por essa espiral sem fim em que me perco de ti e tu te perdes em mim.
'Olha a porta aberta!', 'Fecha a janela!'. Continuas a fazer das correntes de ar um modo de vida. Não sabes o que queres, não sabes de ti, de mim ou sequer de nós. Sou a janela da tua porta e tu a porta da minha janela... As correntes de ar repetem-se em nós mas chegou o Inverno. E espero, que venha para ficar.
Entre a janela e a porta, na maior das correntes de ar, martinha

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