Perdi a noção do tempo, perdi a
noção do que és. Já não cabes em mim, já não cabes no meu coração. Ocupas cada
vez um espaço maior, a ferida vai aumentando e eu fico na esperança que
apareças e trates de mim como só tu sabes fazê-lo. Mas tu, com o teu olhar
magoado tremes com medo que sejamos só nós os dois. Tremes com medo que na nossa solidão encontre
conforto de outro alguém que não tu e deixe de te querer da mesma maneira que
da primeira vez. És a primeira coisa que sem caber em mim eu quero agarrar, com
a força que me dás, com a força que juntos criamos e perdemos com o passar do
tempo, a força que ficou escondida por detrás dos erros, do orgulho e dos medos.
És todo o exagero que tentei encontrar e nunca acreditei poder ter. És aquilo
que sei que quero e que sem querer eu quero cada vez mais. Com a restante força que me deixaste depois de cada
partida eu espero, todos os dias, que te lembres que aqui fiquei. És tudo aquilo que quero sabendo que não posso ter.
Ainda à tua espera, martinha

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