Torna-se
sempre difícil esboçar uma história que vá de encontro àquela que partilhamos,
uma história que seja feita de sentimentos que estejam para além da escrita,
uma história que possa ser falada da mesma maneira que é sentida, porém, tento
sempre chegar com meia dúzias de verdades ao teu cantinho mais escondido, ao
pedaço de ti que me aquece nas manhãs em que uma mera brisa quebra um vidro
frio e o torna em gélidos e pequenos estilhaços. Sei que nunca vou quebrar e
tornar-me em gélidos e pequenos estilhaços, tenho-te a ti, tenho as tuas mãos a
segurarem-me como se fosse a tua própria vida, como se a tua vida realmente
dependesse de mim.
Hoje, sei que
és um homem mais forte do que aquilo que tu mesmo acreditavas ser. Conheci em
ti essências de uma vida sofrida, de uma vida de constantes lutas, contigo
mesmo, com o que sentias e vias. Não foi fácil, nunca será fácil mas sei que
hoje o caminho tem um olhar diferente, um olhar mais seguro de alguém que sabe
o que quer e o que é certo, alguém que definiu prioridades e, isso, de certa
forma me tranquiliza e me deixa muito mais feliz pois tenho a sensação que
conseguiste finalmente valorizar-te.
Estamos de
mãos dadas, atadas, entrelaçadas. Nunca pensámos nem pensaremos em largar.
Mesmo se precisarmos para qualquer outra tarefa. A nossa maior tarefa é amar. A
nossa prioridade é cuidarmos um do outro. Senti que te perdia quando olhavas
para o mundo com vontade de o agarrar mas hoje sei que foi juntos que
levantámos o que restava. E mesmo restando pouco sei bem que fizemos do pouco
que éramos o muito que hoje somos. O destino tentou apanhar-nos mas fugimos por
entre a noite com uma gentileza que o tempo nos ensinou a ter.
Só serei livre
se estiver presa a ti, mesmo que seja ao mais pequeno estilhaço de ti. Deixo-me
cair nos teus braços como se a vida fosse ver-te segurar o peso que não cabe em
mim. As nossas palavras não gritam, sussurram porque os nossos sentimentos são
feitos de silêncios. Silêncios nos quais perdemos a noção de tudo e ficamos só
eu e tu a sobrevoarmos os sonhos que nos mantêm acordados mesmo quando o sonho
é maior que a vida. Um dia, naqueles nossos dias difíceis pedi-te, baixinho,
que parasses de tremer, que me segurasses sem medo e que não me deixasses
sofrer. Deixo-me ficar nos teus abraços como se a maior prova de amor fosse
deixar que me guiasses.
Amar-te é
dar-te um sorriso sem esperar recebê-lo de volta e, mesmo assim, continuar a
sorrir-te. Confesso que às vezes me perco nesse nosso amor, nessa nossa
cumplicidade de pai e filha e lembro-me que dizes muito mais para além até das
entrelinhas, que gostas de me deixar confusa, que gostas de sentir que
continuou a ser a tua menina e que queres que só eu saiba decifrar os teus
próprios códigos. Várias vezes me disseram que o amor é tempo perdido mas todas
essas vezes me deram mais vontade de te amar ainda mais e assim o fiz. Foi
talvez assim que o nosso amor cresceu, com a ausência de uma negação àquilo que
sempre sentimos. Hoje és tu quem traça o caminho e os meus pés seguem-te os
passos. Sempre gostei da tranquilidade com que decides o que fazer, talvez por
não a ter.
E assim vou-me
perdendo no nosso amor, naquilo que vamos construindo a dois. Perco-me no
segredo que é conquistarmo-nos todos os dias um ao outro como se fosse a
primeira vez, como se hoje eu te voltasse a conhecer e voltássemos a aprender a
amar, um com o outro, da maneira que nós conhecemos o amor, da maneira que
juntos o desenhámos e idealizámos.
Sei que hoje
sim, hoje conhecemo-nos como só nós mesmos nos conhecemos e que seremos sempre
um do outro, que o nosso amor será sempre a essência mais bonita que trazemos e
que por mais que expressemos só nos silêncios longos e expressivos nos iremos
entender melhor do que aquilo que poderíamos fazer.
Vamos ser
felizes, vamos ser um do outro para sempre. Eu sou a tua menina e tu o meu
herói.
Amo-te para
sempre pai.
Sempre
a tua pequenina, martinha.

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