E, de repente, tudo se apaga. Deixa de haver luzes e velas.
Deixa de existir um caminho para seguir. Fica tudo sem sentido. Fico só eu, no
escuro, sozinha. Apagaram-se as luzes na rua, apagaram-se as luzes dentro de
mim. Apagou-se tudo o que iluminava o sítio onde estou. Apagou-se tudo o que
iluminava o coração. Tudo o que iluminava o meu caminho apagou-se.
Agora à que descobrir um caminho novo, desenhá-lo a meu
gosto. Iluminar o coração. Cantar baixinho a minha canção e lembrar-me que agora
já só há um ‘eu’. Que o nós desapareceu, que deixas-te de tocar a tua música no
meu coração. Que foste-te embora, que contigo levas-te o nosso amor, tudo o que
ainda restava de nós, o que que ainda partilhávamos. Vou iluminar todas as
luzes que apagas-te e vou criar novas luzes, que não me lembrem de ti… Vou
mudar a fechadura do meu coração para que não possas voltar a entrar. E, no fim
de tudo, vou deitar-me sobre a cama e não sonhar contigo, como era hábito.
Às escuras, alguém que não eu.

Sem comentários:
Enviar um comentário