Tu, que vens e ficas depois de
cada momento bom. Tu, que és mais de mim do que eu queria. Tu, que enches cada
pedaço do meu corpo com um 'cheirinho' a recordações boas. Tu, que existes por
uma boa razão mas que és má. Tu, que me persegues no escuro da noite, para todo
o lado, em todas as etapas. Tu, que te fortaleces ao longo do tempo em vez de
enfraqueceres. Tu, que és tudo e nada. Tu, que me fazes sorrir e chorar. Tu,
que te opões a ti mesma. Tu, que te intensificas nas piores alturas. Tu, que só
existes devido a bons momentos, boas pessoas, boas situações, bons dias, boas
noites. Tu, que me acompanhas desde sempre. Tu, que multiplicas as tuas razões
e a dor que por elas é causada. Tu, que cheiras a coisas boas, que já não posso
reviver. Tu, que és deixada em mim e que não me deixas. Tu, que te guardas
muito bem guardadinha nos recantos mais escondidos do meu corpo, do meu
coração, mas que quando te fazes sentir não tens vergonha. Tu, que me ensinaste
o valor de cada bocadinho do meu dia. Tu, que és dor permanente. Tu, que me
ensinas. Tu, que nunca vais deixar de ser o que és. Tu, que de certeza que
nunca me vais abandonar. Tu, a quem eu queria agradecer por me lembrar de
coisas boas. Tu, a quem eu queria dizer que pode sempre vir ter comigo, desde
que venha devagarinho. Tu, a quem eu peço para enfraquecer um bocadinho. Tu,
que me lembras os abraços apertados, os ‘beijos falados’, os olhares, as
palavras, as cartas, os segredos, as ‘festinhas’, os amores, as amizades, os
segundos, os minutos, as horas, os dias. Tu, que és quase tudo de mim. Tu, que
és à base de recordações. Tu, que és tu. Tu, que nunca deixas-te de ser
saudade.
Escrevi-te esta carta, sem
morada, sem selo, sem nada, para que saibas que permaneces em mim, cada vez
mais forte…
Contigo, marta.

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