segunda-feira, 1 de abril de 2013

Carta por enviar


Querida saudade,

Tu, que vens e ficas depois de cada momento bom. Tu, que és mais de mim do que eu queria. Tu, que enches cada pedaço do meu corpo com um 'cheirinho' a recordações boas. Tu, que existes por uma boa razão mas que és má. Tu, que me persegues no escuro da noite, para todo o lado, em todas as etapas. Tu, que te fortaleces ao longo do tempo em vez de enfraqueceres. Tu, que és tudo e nada. Tu, que me fazes sorrir e chorar. Tu, que te opões a ti mesma. Tu, que te intensificas nas piores alturas. Tu, que só existes devido a bons momentos, boas pessoas, boas situações, bons dias, boas noites. Tu, que me acompanhas desde sempre. Tu, que multiplicas as tuas razões e a dor que por elas é causada. Tu, que cheiras a coisas boas, que já não posso reviver. Tu, que és deixada em mim e que não me deixas. Tu, que te guardas muito bem guardadinha nos recantos mais escondidos do meu corpo, do meu coração, mas que quando te fazes sentir não tens vergonha. Tu, que me ensinaste o valor de cada bocadinho do meu dia. Tu, que és dor permanente. Tu, que me ensinas. Tu, que nunca vais deixar de ser o que és. Tu, que de certeza que nunca me vais abandonar. Tu, a quem eu queria agradecer por me lembrar de coisas boas. Tu, a quem eu queria dizer que pode sempre vir ter comigo, desde que venha devagarinho. Tu, a quem eu peço para enfraquecer um bocadinho. Tu, que me lembras os abraços apertados, os ‘beijos falados’, os olhares, as palavras, as cartas, os segredos, as ‘festinhas’, os amores, as amizades, os segundos, os minutos, as horas, os dias. Tu, que és quase tudo de mim. Tu, que és à base de recordações. Tu, que és tu. Tu, que nunca deixas-te de ser saudade.
Escrevi-te esta carta, sem morada, sem selo, sem nada, para que saibas que permaneces em mim, cada vez mais forte…
Contigo, marta.

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