Um ano
depois e a praia continua a mesma desde aquele dia. Quem diria? 365 dias depois
e o outono é o mesmo do ano passado, ainda faltam as folhas nas árvores, o
vento sopra-nos aos ouvidos e a água continua gelada. Um ano depois ainda há o
amor que aquela praia viu crescer. Um amor para o qual duvido que exista vida
que chegue.
Era terça-feira,
dia 16. Uma terça-feira fria e ventosa, a praia estava calma, coisa que não era
costume e tu estavas ao meu lado. Os teus olhos brilhavam quando me pediste que
fosse tua para o resto da vida, ainda que a vida não nos chegasse para amar.
Passou um ano e ainda há muito que amar.
Depois
disso criámos a felicidade com as pontas dos nossos dedos e conseguimos que ela
se mantivesse com o amor que lhe demos.
Hoje amo-te
mais que ontem e menos que amanhã, como sempre te disse que ia ser. O desejo da
tua pele fria na minha pele fria em busca do calor dos nossos corpos é
permanente. Continuo a arrepiar-me consecutivamente sempre que me tocas. No
fundo nada mudou exceto o amor, esse malandro cresceu e não encontra limites.
Acho,
sinceramente, que a vida devia ser assim, de cortar a respiração, de perder o
fôlego dia sim, dia sim, a amar incondicionalmente antes e depois de tudo, a
desejar o toque, o cheiro, o sopro e o arrepio. E se a vida de todos não for
assim, como te digo, quero, ao menos, que a nossa continue a sê-lo.
Por 365
dias eu te peço que fiques 365 anos porque a vida não nos chega para amar, por
isso quero amar-te mesmo quando já não houver vida. Porque o amor, esse amor
que vimos crescer na praia é maior que a vida, como nada nunca o foi.
Com um arrepio de amor na
alma, Martinha.
Tua para sempre.

